Suplente de senador, Pastor José da ICB cai ao ser denunciado por escândalo sexual

Pastor-José-AfonsoUm triângulo amoroso com cenas de espionagem e tudo que de pior pode ocorrer em casos desta natureza foi a principal causa da queda do superintendente da Igreja Casa da Benção (ICB) do Acre, Pastor José Afonso, que se intitulava ilegalmente de bispo, o qual está desaparecido e acusado de se apoderar inclusive de bens da agremiação religiosa, assim como de desencaminhar uma devota, aquela que seria sua amante. O caso seria apenas mais um na longa de lista de desvios éticos e morais envolvendo pastores e suas ovelhas não fosse o principal acusado um homem prestes a assumir o Senado da República pelo Acre.

Pastor José Afonso e sua esposa, pastora Silvania, se tornaram conhecidos no Acre a partir de um programa de televisão que apresentavam diariamente pelas manhãs na TV Rio Branco com relatos de curas milagrosas de pessoas que teriam alcançado a saúda a partir de orações e de ingestão de copos de água ungidos pelo casal de religiosos. Tamanha fama valeu ao Pastor, de 1m50 de altura, a condição de segundo suplente da chapa encabeçada em 2014 pelo então candidato ao Senado pelo PP, Gladson Cameli. Ele era filiado ao PR (Partido da república) e foi indicado à função pela deputada federal Antônia Lúcia, dirigente da sigla no Estado.

A chapa foi formada com a primeira suplente Mailza Gomes, então filiada ao PSDB. Com a eleição de Cameli para o governo do Estado e a consequente ascensão de Mailza Gomes ao mandato de senadora, o segundo suplente José Afonso passou a viver a expectativa de poder e de ser senador a qualquer momento porque vinha negociando com a senadora titular um afastamento que o permitisse chegar ao cargo em algum período nos quatro anos de mandato que resta.

Com o escândalo, nem mel nem cumbuca. Além de não assumir o mandato de senador, Pastor José Afonso ainda corre o risco de ter cassado o diploma de suplente, mesmo que não tenha assumido o cargo nem por um minuto. É que o regimento interno do Senado Federal e toda a legislação prevê a cassação de suplentes, mesmo que eles não tenham assumido, por crimes e ações incompatíveis com o decoro parlamentar, o que seria o caso. Além de ser acusado de manter relações sexuais com uma obreira da Igreja, Pastor José Afonso é acusado de se apropriar de uma carreta que servia de igreja móvel da agremiação religiosa e de não aceitar as punições impostas por seus superiores na Igreja após a descoberta do escândalo.

Os supostos desvios do Pastor foram denunciados, inicialmente, por sua esposa, pastora Silvânia. Aos desconfiar que estava sendo traída pelo marido com uma das devotas da igreja, a partir de denúncias dos próprios irmãos de congregação, pastora Silvânia “plantou” um telefone com potente sistema de gravação através do qual ficou sabendo de tudo que se passava na boleia do veículo do pastor assim como o que ele dizia sobre seu casamento fracassado, segundo o qual continuava a viver com a pastora apenas para não escandalizar a Igreja e os irmãos. De posse da gravação, pastora Silvania fez a casa cair para o lado do pastor.

De início, sem poder defender-se frente à robustez das provas, Pastor José fugira para Porto Velho, disseram fontes da Igreja. De lá ele devia seguir para Brasília, onde receberia assistência da igreja, mas ele não cumpriu tal orientação e fugiu para o interior de São Paulo levando, além da amante, uma carreta de propriedade da igreja.